Bem vindos ao Matutices Poéticas!

Bem vindos ao Matutices Poéticas!

terça-feira, 22 de abril de 2014

Voltando para o Nordeste, com Jessier Quirino

Morena bela


Festa danada de boa
Oitão da casa enfeitado
É no sítio de Preto
Todo ano é comemorado
Inácio vai beber e dançar
Vamos todos festejar
O São Pedro animado

Bidoia pisô em Prego
Jaque pediu um som do Nordeste
Kebim tomou uma lapada
Paulim caba da peste
A lua veio nos ispiá
Vamos dançar devagá
A dança do Agreste

A brincadeira é boa
Como uma aquarela
Não tem hora para parar
Quando vi uma morena bela
Vibrou meu coração
Como uma canção
Nunca vi igual aquela

Paixão de menina nordestina
No forró daquele jeito
Alegria no terreiro
Nos cabelos um enfeito
Seus olhos meigos brilhavam
Enquanto pares dançavam
Olhei, nem dancei direito

Bela morena, quero te abraçar
Tu tens cheiro de rosa
Morena bela, uma flor
Morena bela, tu é verso e prosa
Morena bela,tu me faz sonhar
Com você quero namorar
Tu é linda, serena e carinhosa

Nunca mais eu deixo de ir
Comemorar o São Pedro
Festa igual aquela
Um forró perfeito
Vou dançar com ela
A bela morena bela
O São Pedro na casa de preto

KLEBSON OLIVEIRA

O coroinha e o vinho

Empoeirada pelo tempo
Desafiando o pensamento
As presepadas a todo momento
Mostrando a coragem de menino
A vida separada pelo destino

Na cidade Malhada de Pedra
No sitio Embebedado
Vilarejo pequeno e pacato
Se destacava naquele cenário
A tranqüilidade de um povo
Sereno, amigo e religioso

Um vigário conservador
De pouca conversa e observador
Homem sério e respeitado
Não andava de cavalo
Em um jipe velho e acabado
Corria para fazer suas romarias
Tinha um sotaque que dizia
Ave Maria, Ave Maria, Ave Maria

Na Malhada tinha missa o dia todo
Por lá também havia um menino buliçoso
Zambeta, pequeno, ilário
Que vez por outra ajudava o vigário

Desses meio dia de fome
Tinha o manejo e a arte no nome
Carinhosamente chamado de Mutreta
Escapulia pra longe
Ninguém sabia pra onde
É umas conversas, uns arrodeios
Com as suas presepadas
Fazia várias ciladas

Coroinha afamado, o melhor da região
Em uma das suas andanças
Para celebrar uma missa
Apreciando as belezas pelo caminho
Aproveitava quando o vigário se distraía
Destambocava a garrafa
E bebia um gole de vinho

Nesse dia a cidade estava
Toda em festa
Mutreta bebeu, deixou dois dedim na garrafa
Ficou cismado na hora
Mas depois esqueceu a pressa
O que ia fazer, pensou derrepente
Lembrou-se de Zé do Mé
Marido de Salomé
Que tinha uma bodega de aguardente

Teve uma ideia até boa e única
Foi em direção a bodega
Comprou um "quisuqui" de uva
E pediu para misturar
Encheu até a boca

Cuida logo homem, vai começar a reza
Mesmo na hora que o padre celebrou
Tomou a bebida e notou
Que o vinho tinha uma mistura
Um gosto a mais de uva

Exclamou com precisão
Esse maldiçoado
Não tem jeito não
Misturar o vinho
Pra acabar com o sermão

Mutreta gota serena
Tu tai com a grenguena
Homem deixa dos teus pantim
Joga isso fora peste
E traz pra mim outro vinho

Aí Mutreta meio desnorteado
Calma, seu vigário
O vinho bom derramou
Nos embalos que o jipe açoitava
Nos buracos da estrada esburacada

KLEBSON OLIVEIRA

Mamulengo


É uma arte diferente
Por traz de panos coloridos
Vertiginando os artistas
Surgem personagens esquecidos
Que encenam com paixão
Com as palmas da multidão
Contam causos tirando risos

Estórias reais ou improvisadas
A arte é um dom precioso
Na sintonia que são vividas
Dar vida a bonecos é espinhoso
É um belo poema incidental
A cultura popular é triunfal
Em caminho tortuoso

A festa nordestina em verso
De um povo humilde e festeiro
O Nordeste tem vez agora
Saudação do brasileiro
Confusa fica a nossa mente
É a saudade diferente
Por esse Brasil inteiro

KLEBSON OLIVEIRA

Trilhando seu destino

A dança do dia a dia
O sertão vai ensinar
A seca é ferrenha
O sonho não pode parar
Vou até o fim agora
É tempo de outrora
O show vai continuar
Tudo da nossa terra
Música, poesia, dança
De forma espetacular
Tenho isso como herança
Cultura é alegria
É pura poesia
Guardo na lembrança

A vida segue em frente
Com a magnífica simpatia
A música que eu sonhava
Vai tocar no rádio um dia
Na felicidade insisto
De ser feliz não desisto
Pois a vida é melodia

Empoeirada pelo tempo
Em relance diferente
Uma verdadeira utopia
Assim vivemos lentamente
Pulando, sorrindo, amando
Sim, agora estamos caminhando
No vazio, sozinho, novamente

No aconchego do lar
A noite é tanto prazer
Amiga dos homens
Só vendo pra crer
Tantos sonhos passados
Canções, versos abandonados
Lutando para sobreviver

Amigos brindando felizes
Com o espírito de menino
Abraços, apertos de mãos
Essa é a sina do nordestino
Cansado, alegre, gentil
Esperançoso ele segue
Trilhando o seu destino

KLEBSON OLIVEIRA

A briga que eu tive com ela




A lágrima escorre 
Desce no rosto sofrido
O coração bate apertado
O sentimento enfraquecido
Minha mão escorando a cabeça
Para que a vida não pareça
Um momento esquecido

Foi a primeira e última
Vez que eu chorei 
Por tua causa
Porque eu cansei
Não precisa mim ligar
Nem tão pouco se preocupar
Se estou viva ou por onde andei

Por mim não quero "aperrei"
Dizia a mensagem dela
Liguei, não atendeu
Quando atendeu foi a maior esparrela
Sozinha, tristonha, chorosa
Com voz penosa

Eu sozinho sem o abraço dela
Ah meu doce lugar
Tão bom e açucarado
Cheiro de moça donzela
Deixa o faro aguçado
Matuto vira criança
Apaixona-se por menina de trança
Um encantamento adoçado

Você menina doce
Uma doçura decente
Decentemente não tem
Decência iguá a gente
És flor de mandacaru
Beleza de um pé de babaçu
Um mote, um repente

Moro bem do seu lado
O terreiro é se encontrando
No tic-tac da noite
Estou eu pensando
Depois de uma mensagem
Não entendo a linguagem
Que de repente vem chegando

Amolando minha paciência
Com a paciência encarbada
Mexendo com meu tino
Argura de cabo de enxada
Que faz calo em mãos fina 
Brejeira, sertaneja, nordestina 
Desconfia quando num ta sendo amada

Em tudo faz um sermão
A menina desamada
Do sábado para o domingo
Deixa a vida complicada
Não sei se vale a pena
Pois a vida nos condena
A uma tortuosa caminhada

Caminhando em passos lentos 
Tentando recorrer da sentença
Sendo bem cauteloso
Para não ter encrenca
Comigo ou língua ou beiço
Essas coisas não tem preço
A saudade é uma crença

Amo-te demais
Somos um lindo mimosear
Numa aquarela tão bela
De noite a lua vem espiar
O nosso aconchego
Eu e ela no chamego
Tão bom que chega a arrepiar

KLEBSON OLIVEIRA


quinta-feira, 17 de abril de 2014

Saudade do Gonzagão

Gravura de Elias Santos

Dia de Luzia, Santa preferida
Vai cartinha fechada
No Araripe, na Chapada
No Exu, na guarida
Nesta data querida
Ave Maria sertaneja
Um resfunlengo, uma peleja
Nasceu o Gonzagão
Louvado assim, que seja

Foi o maior alvoroço no Sertão
De repente um vira e mexe chegou
Virou, mexeu, alegrou
Foi tanta emoção
Com o nascimento do Gonzagão
O fole roncou no pé-de-serra
Cabrueira da minha terra
Subiu a ladeira e foi visitar
A majestade do lugar
Nordestinando toda uma era

Sanfona branca, dourada
No compasso dessa simetria
Os festejos, amanheceu o dia
Muita gente animada
Quanta alegria abençoada
O forró de Mané Vito
Forrozada com carne de cabrito
O forró foi vadiando
Todo mundo festejando
O nascimento bendito

O lamento sertanejo criado
O vôo da Asa Branca
Uma saudade e tanta
Seu cabelo prateado
Me remete ao passado
O rei do Sertão
Cantador do povo
Filho de Janúario e Santana
A quem tanto ama
Ninguém esqueça não

Não esqueça do som de fole
Do triângulo e do ganzá
A zabumba vem zabumbá
E todo mundo se bole
E haja fum, fum depois de um gole
Mandei fazer um liforme
Com toda preparação de uniforme
Com os dizeres amei o Sertão
Sou filho desta terra com a maior gratidão
Tudo para o meu povo com orgulho enorme

Filho de Januário
Dona Santana
Amou e cantou
Os pássaros, os padres
Os Feiticeiros, as aves
Cantou o seu povo
Cantou sua terra.

KLEBSON OLIVEIRA

domingo, 13 de abril de 2014

Papel de guardanapo II


Papel de guardanapo


Observei com precisão
De uma forma singela
Fiz uma homenagem bela
Guardei com atenção
Entreguei na frente do portão
Na hora da despedida
Para uma menina atrevida
Com seu penteado diferente
Deixando-a mais atraente
Naquela noite tão linda

Fiz um breve relato
Com toda simplicidade
Eu tive a felicidade
De fazer um retrato
Em um papel de guardanapo
Uma quadrinha para alegrar
Sua trança vai se desmanchar
Notei na hora que cheguei
Modéstia à parte eu gostei
Uma beleza tão peculiar

KLEBSON OLIVEIRA 

sábado, 12 de abril de 2014

Mãe a coisa mais bela Que um ser humano tem


De uma costela nasceu
A fórmula grandiosa
Meiga serena e carinhosa
Que a vida enalteceu
O destino envolveu
O nascimento tão bem
Uma alegria também
Em forma de aquarela
Mãe a coisa mais bela
Que um ser humano tem
                
A vida encorajou
Esse ser supremo
Que além do estremo
Aprendeu com o que passou
Sorrindo ela demonstrou
Tudo de bom para alguém
Mas sua vida é um vaivém
Uma caminhada singela
Mãe a coisa mais bela
Que um ser humano tem
              
A mim tem gratidão
Quando ainda sou menino
Um ser que o destino
Preparou com dimensão
Sempre com amor no coração
Sem cobrar nenhum vintém
Caminhando ela vem
Nunca vi igual a ela
Mãe a coisa mais bela
Que um ser humano tem
   
Chorando me abraça
Meu sorriso lhe faz sorrir
Tento as vezes escapulir
Logo ela me afaga
E de repente a tristeza apaga
Vai embora por mais de cem
Diz que sou seu bem
Não tem amor igual o dela
Mãe a coisa mais bela
Que um ser humano tem
                
Prepara-me para a vida
Uma mulher guerreira
Uma heroína de primeira
Fiel amiga e destemida
Vive de forma atrevida
Mostrando o valor que a vida tem
Assim sente-se bem
Com jeito de menina bela
Mãe a coisa mais bela
Que um ser humano tem

KLEBSON OLIVEIRA

Vida


A vida é nada mais que uma canção
que é entoada em uma magnífica sintonia.
Atribuído a sons, prosas e poesias. 
Uma fantástica harmonia
de uma orquestra bem afinada
regada a seus encantos
difícil de decifrar.

KLEBSON OLIVEIRA

Solidão saudosa


Começo de uma aflição
Um meio atordoado
Fim de uma luta
Um fato consumado
Dor de um grande amor
Alegria, tristeza e dor
Quando tá apaixonado
               
Doença que abusa
Que machuca o coração
Causando um aperreio
Atrelado a uma solidão
A saudade é saudosa
Uma agonia  perigosa
Corrói, sem dó, sem compaixão
                
Nasce em seu coração
Regada de um jeito
Assim tão inocente
Abusa o sujeito
Solidão é um lamento
Um descontentamento

Sem chão sem documento

KLEBSON OLIVEIRA

Cheiro de menina


Meu desejo é te matar de cheiro
Somos um lindo mimosear
Queria tá sempre perto pra te cheirar
Envolver-me no teu cheiro
           
Temperando um abraço derradeiro
Que todos desejam provar
Mais eu sou o único e primeiro
Sou eu que vou saborear
              
Nos teus braços, como moradia
Ao pé do ouvido fungados
Soando como uma melodia
               
Melodicamente não consigo entender
Se somos amantes ou namorados
Juntinhos continuamos sem compreender

KLEBSON OLIVEIRA

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Som do Nordeste, danado de bom! Pra que coisa mais melhor...

Não tem remédio que dê jeito


A saudade que mata
Invade o nosso coração
Entra pela contra mão
A nossa vida desata 
Chega logo maltrata
Saudade não tem conceito 
De mansinho fere o peito 
Desatino que marca o destino 
Não tem remédio que dê jeito

(Klebson Oliveira)