Bem vindos ao Matutices Poéticas!

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terça-feira, 22 de abril de 2014

O coroinha e o vinho

Empoeirada pelo tempo
Desafiando o pensamento
As presepadas a todo momento
Mostrando a coragem de menino
A vida separada pelo destino

Na cidade Malhada de Pedra
No sitio Embebedado
Vilarejo pequeno e pacato
Se destacava naquele cenário
A tranqüilidade de um povo
Sereno, amigo e religioso

Um vigário conservador
De pouca conversa e observador
Homem sério e respeitado
Não andava de cavalo
Em um jipe velho e acabado
Corria para fazer suas romarias
Tinha um sotaque que dizia
Ave Maria, Ave Maria, Ave Maria

Na Malhada tinha missa o dia todo
Por lá também havia um menino buliçoso
Zambeta, pequeno, ilário
Que vez por outra ajudava o vigário

Desses meio dia de fome
Tinha o manejo e a arte no nome
Carinhosamente chamado de Mutreta
Escapulia pra longe
Ninguém sabia pra onde
É umas conversas, uns arrodeios
Com as suas presepadas
Fazia várias ciladas

Coroinha afamado, o melhor da região
Em uma das suas andanças
Para celebrar uma missa
Apreciando as belezas pelo caminho
Aproveitava quando o vigário se distraía
Destambocava a garrafa
E bebia um gole de vinho

Nesse dia a cidade estava
Toda em festa
Mutreta bebeu, deixou dois dedim na garrafa
Ficou cismado na hora
Mas depois esqueceu a pressa
O que ia fazer, pensou derrepente
Lembrou-se de Zé do Mé
Marido de Salomé
Que tinha uma bodega de aguardente

Teve uma ideia até boa e única
Foi em direção a bodega
Comprou um "quisuqui" de uva
E pediu para misturar
Encheu até a boca

Cuida logo homem, vai começar a reza
Mesmo na hora que o padre celebrou
Tomou a bebida e notou
Que o vinho tinha uma mistura
Um gosto a mais de uva

Exclamou com precisão
Esse maldiçoado
Não tem jeito não
Misturar o vinho
Pra acabar com o sermão

Mutreta gota serena
Tu tai com a grenguena
Homem deixa dos teus pantim
Joga isso fora peste
E traz pra mim outro vinho

Aí Mutreta meio desnorteado
Calma, seu vigário
O vinho bom derramou
Nos embalos que o jipe açoitava
Nos buracos da estrada esburacada

KLEBSON OLIVEIRA

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